Os desafios da condução autónoma

os desafios da condução autónomaPovoando o imaginário comum a Condução Autónoma é​,​ desde a nossa infância,​ uma das características que sonhávamos ter num carro. Quem não se lembra da série​ Knight Rider no qual Kit,​ o Pontiac Firebird preto construído pelas Indústrias Knight, conduzia sozinho e falava.
 
Desde essa altura muita coisa mudou e o que até há bem pouco tempo era considerado Ficção Científica tem vindo a ganhar contornos bem reais, graças a inovações tecnológicas como o desenvolvimento de sensores que possibilitam a análise de dados em tempo real através da IOT (Internet of Things).
 
Atualmente são vários os fabricantes de automóveis que têm em funcionamento carros com características de condução semi autónomas, sendo o estacionamento automático, ou a travagem automática em estrada,​ dois exemplos bem conhecidos.
 
Entre as marcas que têm liderado esta corrida rumo à condução autónoma a Tesla com o seu Auto Pilot é talvez o fabricante de automóveis com um nível de autonomia mais evoluído, tendo já vindo a público vários vídeos de Teslas a conduzirem em modo autónomo em plena autoestrada, conseguindo inclusive evitar acidentes antes destes acontecerem (análises preditívas). 
 
É já do conhecimento geral que a Uber,​ o serviço de ridesharing,​ tem desenvolvido esforços em colaboração com a Volvo para o desenvolvimento de uma condução totalmente autónoma, estando atualmente em fase de testes em várias cidades Norte Americanas.
 
Num desses testes realizado na tarde do dia 18 de Março, em Tempe, Arizona, uma mulher, Elaine Herzberg, foi atropelada por um carro de teste da Uber, que seguia em condução autónoma a 64 km/h, tendo a vitima falecido a caminho do hospital.
 
Num relatório preliminar emitido pela Policia de Tempe, é referido que através das imagens registadas pela viatura aquando o acidente, que este teria sido inevitável, mesmo que alguém estivesse a conduzir o veículo, no entanto tal interpretação não é compartilhada por Todd Humphreys, professor assistente na Universidade do Texas que se encontra atualmente a fazer pesquisa em sistemas de perceção robotizados, o qual refere que terá ocorrido uma falha catastrófica do sistema de perceção do veículo, pondo em causa a capacidade do veículo em interpretar os dados corretamente.
 
O incidente já levou a Uber a suspender os testes, levando a que outras empresas como a Toyota e a nuTonomy suspendessem temporariamente as suas operações com carros autónomos.
 
Independentemente da culpa, a condução autónoma levanta questões éticas e humanas que prometem adensar o debate, como por exemplo, como pode um veículo perante uma situação de acidente inevitável escolher em quem vai embater?
 
Também para as seguradoras a questão da condução autónoma não se avizinha fácil, já que levanta questões em relação à perceção de culpa e da própria definição de acidente.
 
Escrito por Rúben Poleri – Digital Marketing Specialist – BMI