EM SETEMBRO NOVO ISV, VIATURAS MAIS CARAS

Em Setembro arranca o novo método para determinar as emissões dos veículos, que vai elevar o valor anunciado de CO2 e, logo, de ISV. Como o Governo manteve a base de cálculo, vai subir o preço das viaturas novas.

Os portugueses podem ter uma surpresa bastante desagradável quando regressarem de férias, em Setembro. Após o Verão, entra em vigor o novo sistema de determinação das emissões poluentes, com destaque para o dióxido de carbono (CO2), por ser aquele que é taxado pelo Imposto Sobre Veículos (ISV), com impacto directo no preço dos automóveis novos. O sistema em causa é o WLTP (de WorldwideHarmonized Light Vehicles Test Procedure), que substitui o NEDC (de New European Driving Cycle). Sucede que, sendo ambos calculados em banco de potência, em laboratório, o novo promete ser substancialmente mais realista do que o NEDC até aqui utilizado.

Esta maior eficiência e, sobretudo, aproximação à realidade, leva o WLTP a encontrar em média mais 30% de CO2 nos veículos medidos, o que vai incrementar o ISV a suportar pelo comprador. Segundo o Observador conseguiu apurar, se um pequeno automóvel a gasolina tipo Renault Clio, Volkswagen Polo ou Peugeot 208, para mencionar apenas alguns dos mais vendidos, pode aumentar entre 200€ e 300€, um veículo com motor 1.6 ou 2.0 turbodiesel, pode perfeitamente dar um salto de 2.000 a 3.000€.
A partir do dia 1 de Setembro, todos os veículos novos – não por serem novos, mas por serem homologados pela primeira vez – vão estar sujeitos à homologação via WLTP. Os valores de CO2, segundo os especialistas, vão ser superiores em média 30% aos anunciados nos tempos do NEDC. Mas para evitar uma subida tão drástica, o regulamento prevê também que, até 1 de Janeiro de 2020, seja feita uma conversão parcial do WLTP em NEDC, originando aquilo que se convencionou chamar de NEDC2, na essência superior ao NEDC normal em cerca de 15%.

Quem parece escapar incólume ao WLTP são os veículos eléctricos, que obviamente não emitem CO2 durante a utilização, com os híbridos e especialmente os híbridos plug-in a terem de suportar um valor residual. Isto porque, à semelhança do que acontecia até agora, continuam a ser avaliados pelo que emitem só nos primeiros 100 km, ou seja, quando ainda têm carga na bateria que faz todo o trabalho nos primeiros 40 ou 50 km.

Fonte: O Observador, 11/4/2018